quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Depois de Março

Em algum momento de dois anos para cá eu envelheci. Não sei o dia exato, sei que foi nesse período.
Certa manhã acordei e me olhei no espelho, continuava com meus vinte e poucos anos e minha cara de quem tem menos de dezoito. Penteei-me com se tivesse quinze e sai para o mundo. Então comecei a perceber que as coisas ficaram mais estremas. O certo parecia muito certo. O errado muito errado.
Com o passar dos dias, meu sorriso, já raro naqueles tempos, foi aparecendo menos até se tornar um simples sobre erguer de um dos cantos da boca. Geralmente o esquerdo (por ser o lado coração?).
Olhava-me e olhava, mas nada tinha mudado fisicamente. Nenhuma ruga nova, nem um fio de cabelo branco. No entanto, a velhice era imperativa nas minhas ações e pensamentos.
Procurei esconder tudo isso na mascara de menino que já usava. Falhei! Dia-a-dia a faceta de menino-velho era mais exposta. Olhos ainda mais foscos e frios. Decisões mais definitivas e pensadas cada vez mais rápido. Menos dó, receio e duvidas. Mais certezas e determinações.
Penso se posso algum dia ir a resgate da juventude e infância que se perderam nesses dias. Penso, mas não ajo para que possa resgatá-las. Penso e só existo.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

O que é um copo de paixão para um embriagado de amor?


O coração é um cofre, um baú e como tal gosta de estar cheio, busca por ser preenchido. Mesmo com seu fecho danificado, com a porta emperrada, não é esforço para um coração se abrir para um novo sentimento. A razão condena, a mente distancia, porem nenhum outro músculo é tão forte.

Por ser músculo o coração segue instintos, mas é suficiente sábio, sábio o bastante para saber que dor de amor não se cura com ódio, rancor ou medo, mas sim com prazer de amor. A sabedoria do coração nos diz que não se perde o amor, se perde um amante, e que na próxima troca de olhares brilhantes, nas próximas risadas, nas duplas de cantores de “na-na-ná”, vamos pensar que ele esta sendo preenchido novamente, mas que nada, isso é prova de que ele já se preencheu.

Amor é como gás, a menor quantidade que seja ocupa todo o espaço que o concederem. Ele vai se expandindo, esticando, mas se recusa a contrair para dar entrada a outros gases iguais a ele. Porem existem gases diferentes, existem amores diferentes, que se unirão para formar um novo gás ou não se misturarão devido a densidades distintas, todavia convivem em plena harmonia.

O coração bate para deixar o amor em movimento e o corpo usa isso em beneficio próprio no transporte do sangue. É como a manivela da panela de pipoca, tem que se fazer todo o milho estourar e temos, para isso, que trazer alguns grãos para perto do calor.

Amor nunca é mais amor, nem menos amor; é amor e ponto. Ou é, ou não é. O brilho pode até entrar mais fundo nos olhos, porem sempre enquanto houver amor ele estará lá.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Proximo

Fui novamente despertado pela manhã. A tanto que não acordo. Meus primeiros sentidos vieram da boca. Vestígios do gosto das bebidas, o seco das fumaças e o úmido das salivas.

A cabeça apertava numa sutil ressaca, mais moral que física. Os olhos doendo e ardendo e me mostraram meu desleixe com meus cabelos, barba e bigodes.

Mecanicamente, fiz tudo que sempre faço pela manhã para poder começar o meu dia (louco para terminá-lo). Sai de casa querendo voltar para a cama. Curti cada hora, como um paciente na sala de espera de seu dentista, louco para que chegue sua vez.

Assim o dia se foi e eu vou para cama pedindo que ele não volte.

sábado, 17 de outubro de 2009

Tropeço

No meio do caminho tinha uma porra de uma pedra
tinha uma porra de uma pedra no meio do caminho
tinha uma porra de uma pedra
no meio do caminho tinha uma porra de uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida do meu dedão tão esfolado.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma porra de uma pedra
tinha uma porra de uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma porra de uma pedra.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Das recordaçoões dos Satiros e Ninfas

Eles sentaram olhando juntos algumas fotos. Apenas algo para fazer quando a conversa acabou. Ela via a fotografa e entregava a ele perguntando alguma curiosidade sobre a imagem ou fazendo um elogio. As fotos seguiam envelhecendo a cada “onde foi isso” ou “que lugar lindo”. Até que chegou a momentos de um passado remoto, anunciados por um “ah dessa eu me lembro”.

Perdida entra as demais estava uma fotos deles juntos. No aniversario dela, ele de chapéu e óculos de sol estilo aviador. Ela com uma camisa vermelha que ambos adoravam (bem por isso ela usava tanto). Ela sentado no colo dele, sorriam como se não houvesse no mundo lugar melhor para se estar.

Eles pararam e ficaram refletindo aquela foto. Até que ela quebrou o silencio: “Você não tinha rasgado essa?”. Ele fez uma cara de envergonhado e disse entre dentes: “Revelei outra”.

Mais alguns minutos de apreciar a imagem ou aqueles velhos momentos e num suspiro ele soltou um pensamento: “é uma pena”. Ela olhou pra ele com a certeza nos olhos: “Realmente, parecia que daria certo um dia. Mas iria demorar muito...”. Ele interrompeu: “Não! A muito eu cansei de lamentar isso. A pena é outra”. Uma duvida/espanto brilhou na cara dela: “Qual seria então?”. Ele abriu um sorriso de serenidade: “Uma pena que nenhuma dessas pessoas exista mais! Pareciam tão felizes...” Ela interrompeu: “Elas não são agente?” nunca fora muito boa em entender os pensamentos dele. Ele nunca cansou de tentar explica-los a ela: “Não, realmente não são. Tenho até inveja dessas pessoas que não vejo a tanto tempo e da felicidade delas. Somos hoje dois estranhos deles, se eles nos visse não reconheceriam com certeza.”

Uma lagrima veio aos olhos dela, os dele já estavam cheios delas. Ela se levantou e pensou em algo diferente para fazerem dizendo estar cansada de ver fotos.

Do outro lado da porta a vida seguia seu curso normal.

sábado, 10 de outubro de 2009

Depois de Março

Acordei três vezes hoje. O telefonema de um grande amigo e despertador não foram suficientes para me desgrudar da cama. Somente após o terceiro despertar resolvi me levantar.

Antes de qualquer coisa, andei só de cueca pela casa para ter certeza de que tudo estava no seu devido lugar. E estava. Eu claro, esperava que não estivesse. Gostaria de ter me acordado alguns anos antes. Não aconteceu, acordei hoje mesmo.

Depois da certeza fui ao banheiro. Olhei-me no espelho e procurei logo meus olhos. Encontrei tão fácil. Acho que já me acostumei com o local onde eles estão. Olhei bem fundo. Dentro dele ainda estavam as alguns traços vermelhos me lembrando das minhas ações na noite anterior.

Concentrei-me e olhei ainda mais fundo. Finalmente me vi. A partir desse contato olho a olho que tive comigo mesmo tive certeza de algo que venho me questionando há certo tempo. Perdi meus dons. Todos eles. Das luzes as palavras. Tenho hoje o espectro disforme de tudo que já fiz um dia. Assim como a fama disseminada pela amizade de um potencial que um dia poderia vir a ter.

Fui com o passar dos dias me tornando de tudo que eu era para uma serie de nãos. Não sorri. Não amar. Não amado ser. Não fui. Não tive. Não fiz. Não conquistei. Não lutei. Não, não e nãos...

Duvido até mesmo que reste lá dentro algum vestígio do monstrinho verde da esperança. Creio que reste apenas vestígios de vida, enquanto não surge os primeiros traços de morte.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Passatempo

D T J K D E Y P A
R V X X X T F C T
E L O U R T F V S
P Z Q N E U Z S B
N D U S P J N B S
L N N E D V T E K
O L F V B O E G Z
S I O A M O L B K

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Do encontro de Sátiros e Ninfas

Ela veio com um sorriso largo e os olhos brilhantes.

Fazia muito tempo que não se viam e das ultimas vezes vinham apenas se vendo. Mantinham-se de longe. Trocavam um olhar só para saber que um viu o outro. Depois passavam a se observar de longe, sutilmente, para que não se percebessem.

Dessa vez, quando os olhares se encontraram ele mandou um sorriso para ela. Foi só uma levantadinha das pontas da boca. Sendo que, na situação em que eles se encontravam, aquilo valia como um imenso sorriso.

Ela, longe, respondeu com um sorriso bem mais largo, jogando a cabeça um pouco para direita. Era do seu feitio aquele sorriso, mesmo que fosse falso. Ele não saberia distinguir, claro.

Junto com o sorriso veio a coragem. Então ela chegou perto com aquele tipo de conversa trivial: “Como você esta?” “como esta a família?” “Os estudos?” “O trabalho”... Tudo muito mal respondido por ele que quase não fez perguntas. Falou apenas o necessário. Uma piadinha às vezes quando a camada de gelo entre eles estava espessa demais.

Com um tempo alguns indícios de uma intimidade que não existe mais começaram a surgir. Aproveitando esse ensejo ela pergunta: “Já deixou de me amar?”. Ele olhou como se duvidasse que ela perguntaria aquilo, ou como se tudo fosse muito obvio: “Não, mas aprendi a viver sem você.”

A conversa perdeu o desenrolar por instantes. Pareceram horas para eles. Então alguém puxou um novo assunto que volta a se desenrolar como no começo. Perguntas habituais, sociais. Coisas que não se quer saber na verdade, muito menos se quer dizer.

De repente algum amigo o chamou, ou a ela. Eles se despediram formalmente. Um abraço desajeitado, cheio de embaraço e ambos se dão as costas.

Ele começou uma oração silenciosa que pedia que ela voltasse para dizer que o quer de volta, ou apenas para lhe dar mais uns minutos dela. Ele não sabia o que ela estava pensando. Resolveu então, esquecer isso por mais tempo.

Percebeu que realmente aprendeu a fazer isso muito rápido. Quando chegou aos amigos jurava que nem lembrava mais.

A noite voltou a sua total normalidade. Ambos vão ao menos fingir se divertirem. Ela teve um pouco mais de problema nisso. Devido a experiência ele o fez muito bem, quase imperceptível.

Tudo volta a exalar um ar de comum e eles, como quem respira, passaram a noite se observando, sutilmente, para que não se percebessem.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Dias sim, dias não

E hoje, sim, você me olha com curiosidade. Aquele olhar surpreso de quem achou algo. Não de quem acha algo que perdeu, mas que procurava.

Já eu, sentado em minha cadeira distante, deitado na minha timidez, viajando na minha carência, fui desperto por esse olhar. Vi verter em mim todas as boas sensações de ser achado. Correspondo os olhares da forma de quem pergunta: “eu?”.

Passo por você vezes e vezes. Você não me vê. Não é que fingi não ver, é que eu não me mostro e assim não tem como você me ver.

Então hoje, não, estou lá no mesmo lugar da outra vez. Sentado, quase de pé na esperança de você me olhar novamente. Você olha, mas não com o mesmo brilho. Depois de encontrar meus olhos você desvia os seus como quem já cansou do que teve.

Nisso eu, sento novamente na desilusão e volto a viajar em outra coisa qualquer. Qualquer que seja a coisa. Qualquer coisa seja a viajem.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sobre olhos entreabertos

Eu acredito em Amor.
Eu acredito em D’us.
Eu acredito em Paraíso.
Eu acredito na Fé.
Eu acredito na Amizade.
Eu acredito na Lealdade.
Eu acredito na Verdade.
Eu acredito até na virgindade de Britney Spears, de Sandy e da sobrinha de Gretchen.
Só não acredito na Humanidade.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

De como equilibrar cotovelos no ar*

...

- Porque se agente voltasse...

- Perai! Quem disse que quero voltar com você?

- Não, é... se agente ficasse junto...

- Quem disse que quero estar junto de você?

- E não quer?

- Quero! Quero tanto que chego a me revoltar por querer!

- E então?

- Isso não é motivo para fazer. Apenas querer não é motivo para fazer.

- Você não gosta mais de mim num é?

- Não, não gosto...

- ...

- GOSTO! Gosto tanto! Amo! Você sabe. Tem certeza disso.

- É eu sei.

- E por saber faz isso tudo. Age dessa maneira. Porque sabe que pode e não avalia se deve.

- Não sei. Pode ser que não seja por isso...

- Quem não sabe sou eu. Talvez nunca vá saber. Espero nunca saber.

- Talvez. Mas nunca é muito tempo.

- Nunca é racional, definitivo.

- ...

- ...

- Então você ainda me ama. Vai amar para sempre?

- Para sempre é muito tempo e já perdi tempo demais com você.

- E eu não mereço.

- Não mais.

- Já mereci?

- Há algum tempo sim.

- Então vou parar de gastar seu tempo. Tchau.

- Posso gastar algum agora.

- Pode? Comigo?

- Posso! Mas não quero. Tchau.

- Até mais.

- Adeus.


*Titulos apartir da frase que "tomei" de presente de Joana minha nova companheira de fotos e certos fatos

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Descartavel

Era o cigarro nos seus lábios.

Era o chiclete em sua boca.

Era eu nos seus lábios, na sua boca, nos seus seios, no seu ventre...

Teve as sensações da fumaça cinza.

Teve o doce do mel.

Teve os prazeres do toque das peles.

E os tratou como um

Queimou o cigarro e ao chão foi a brasa vermelha.

Sugou o doce do chiclete e ao chão foi a borracha insípida.

Teve seu luxo no meu corpo, mas ao chão ficou apenas o vestígio do pudor ao toque das intimidades.

Ficaram as vontades de futuro.

Ficaram as satisfações de se encontrar um par.

Já eu, com minhas asas feridas e cansadas,

me mantive no ar.

Nem se quer toquei o chão.

Voei numa brisa quente de esperança...

domingo, 6 de setembro de 2009

Sagesse

Eu não sei escrever poesia.

Não sei se uso s ou z.

Não sei aonde vão os tils, circunflexos e agudos.

Não sei se é pro, para ou oxítona.

Quantas silabas poesia tem?

Eu não sei escrever poesia.

Sei é abrir meu peito ao papel.

Sei mancha-lo com minhas lagrimas.

Sei desenhar meus sorrisos.

Se me debruço no papel, poesia não escrevo por que não sei.

No entanto, faço do papel branco um espelho

para um coração que bate

uma lagrima que rola

ou um sorriso que brilha.

E faço tudo isso sem ao menos saber escrever poesia.

Sobre caminhos e morangos

...

O chapeleiro olhou fundo para Alice e disse:

- Não Alice, Não é Tolice. Olhar para o inicio da estrada quando se esta no meio é tão importante quanto olhar para o final. Saber aonde se quer chegar pesa, mas como se pode aproveitar a gloria de saber como se chegou?

Alice, racional, respondeu:

- A gloria provem da vitória e não de como se chegou a ela.

O chapeleiro, cético, retrucou:

- Então Alice, me explique você porque os morangos maduros da cesta que você ganhou não estavam tão suculentos quantos esses, quase verdes, que nos esfolamos para colher?

Alice ainda levantou o dedo indicador e abriu a boca para dar a resposta ao chapeleiro, mas as palavras falharam. Faltaram na verdade. A razão de Alice perderia para a loucura do Chapeleiro mais uma vez. A menina resolveu dar atenção a algo mais importante. Pegou um morango meio verde meio róseo e pos todo na boca. Mastigou três vezes e suspirou se rendendo ao prazer do seu sabor.

sábado, 29 de agosto de 2009

Lição

Aos prantos, sentado ao chão perto do velho acomodado em sua cadeira de balanço, ele descrevia mais um amor que “não deu certo”. Toda aquela ladainha que todo mundo conhece de cor. Fiz mundos e fundos, me superei, me privei. Tudo aquilo que agente sabe que todo mundo faz e não faz.

Quando já estava cansado de falar, ou por necessidade de ouvir, ele pediu algum tipo de conselho ao velho, que responde:

- Ame meu filho. Ame o maximo que você puder e quando achar que não pode mais, ame mais ainda.

Claro que aquilo parecia a coisa mais inútil de se ouvir naquele momento. Tudo que se ouve nessas horas parece inútil na verdade. E talvez por descaso, falta de compreensão ou mesmo burrice ele não seguiu o conselho que recebeu.

Horas, dias, meses e anos depois ele era o velho na cadeira de balanço e alguém jovem chorava as mesmas lamurias que ele tinha chorado naquele momento. Mesmo sabendo cada trecho da historia que estava por vir, ele ouviu pacientemente. E quando percebeu que havia chegado a hora em que o jovem tinha cansado de falar ou necessidade de ouvir, ele disse:

- Ame meu filho. Ame o maximo que você puder e quando achar que não pode mais, ame mais ainda.

De forma mais inteligente que a dele no passado, o jovem perguntou porque. Ele reconhecendo que deveria ter feito o mesmo quando era sua vez deixou uma lagrima rolar no rosto. Abraçou o jovem, olhou nos seus olhos e disse:

- Porque será muito pior se você não o fizer.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Acho que ja te disse

Hoje, em alguns momentos do meu dia que quase não parecem meu dia, tive tempo de pensar em te ligar. Apenas ligar. Para falar qualquer coisa. Perguntar como foi seu dia. Dizer alguma eventualidade. Ouvir tua voz.
Peguei o telefone algumas vezes, mas desistir em todas. Pensei se podia fazer, se devia fazer. Se você receberia bem, a final não sei seus gostos. Se você poderia falar, afinal não sei seus horários. Pensei no que poderia falar e no que não deveria nem pensar.
Passei tanto tempo nisso que acabei devorado por mais uma onda de tumulto do meu dia e pensar em você foi mais de você que pude ter quando queria muito mais.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Dos nãos, dos nuncas e dos jamais

Era muito bom para ser para mim. Não, não podia ser para mim. Não desse jeito, não com tanta perfeição.

Aquele brilho nos olhos, não podia ser para mim. Aqueles beijos não eram meus, não podiam ser meus. Eu não teria direito a tanto, ou a tal.

Cai nas graças do momento, mesmo sabendo que não era meu. Que não podia ser meu. As asas cansadas se aninharam no aconchego daqueles braços. Meu corpo frio se aqueceu no calor daqueles abraços.

Mas nada daquilo era meu e por devido, me foi tirado, assim como foi dado. Era muito para ser para mim, pois era muito pouco. Podia ser de qualquer ser humano, mas não meu. Nunca poderia ser meu. Nunca poderá ser meu...

De qualquer ser humano pode ser, mas não meu...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Feminino

Nunca exigi seu tempo, dei minhas horas.

Jamais pedi seus carinhos, dei meus afagos.

Nunca te obriguei a fidelidade, dei minha lealdade.

Jamais te citei como minha, defini o meu corpo como seu.

Não te prendi, não te ceguei, não te sufoquei, não te segui.

Mostrei meu caminho e desejei que ele, pouco a pouco, acompanhasse o seu.

Linhas paralelas se encontram no infinito. Nunca se batem. Permanecem lado a lado.

Não exijo tua compreensão, dou minha amizade.

Não peço tua calma, dou meu sorriso.

Não te obrigo a razão, dou minhas utopias.

Te peço apenas que eu seja uma breve lembrança, sempre antes de seus dedos terminarem de gritar seu nome.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sobre o tempo la fora

Hoje o barulho da chuva tem outro significado. Como toda mudança, doeu para que ao ouvir a chuva cair eu pensasse em outra coisa, em outros momentos.

Antes os pingos ao chão anunciavam um sono doce, ambos a se esquentar sob os lençóis abraçados na cama de solteiro. Dormir com seus cabelos no meu nariz. Às vezes trazendo seu cheiro em outras fazendo cócegas. Aperta-la contra meu corpo, correr a mão da sua cintura ate as coxas. Acordar varias vezes a noite com o ranger de seus dentes ainda acordados. Finalmente, acordar para vê-la serena e linda, nos seus últimos minutos de sono.

Quantas chuvas clamaram por isso e não tiveram. Deitei só, na esperança de que em algum momento ela aparecesse como por encanto, dizendo apenas “cheguei”. Não seria necessário dizer mais nada. Perguntas, pensamentos e duvidas seria para a manhã seguinte (caso ela viesse a existir).

Procurei o seu cheiro no travesseiro, nos lençóis. Ate achava vez ou outra. Por pouco segundos, mas jurava que era ele. Meus braços vagaram pela cama que agora parecia tão grande. Nem mesmo os lenços conseguiram afastar o frio.

Assim foram as noites de chuva de um passado não muito distante. (Faz um ou dois séculos?)

Hoje é diferente. Novamente a chuva lembra aconchego, mas de modo diferente. De um jeito especial, mas que depende mais de mim do que de outra pessoa. Escolho quanto espaço terei na cama. Hoje sinto o cheiro que quero. Nada mais me acorda. Prefiro ser assistido ao dormir a assistir o sono alheio.

O barulho da chuva hoje me lembra quão efêmeros são os bons momentos. Que se não forem intensamente aproveitados eles podem ser protagonistas de momentos desesperados de tristeza.

O barulho da chuva hoje, me da ordem de vida. Eu a acato e vivo.

sábado, 18 de julho de 2009

Senso

Era meu olhar aos olhos delas. Depois era eu dentro dos olhos dela. Meu nome na boca dela, minha língua na boca dela, mais e mais de mim na boca dela.

A minha mão corria em busca dela. Cada curva que passava eu não sabia mais se era eu ou se era ela. Eram curvas, pêlos e fendas. Apenas isso. Sem dono, nem fim.

Era eu dentro dela. Ela a me devorar. Com todas as bocas, com todas as mãos. Buscado o palato quente dos sentimentos.

As peles eram uma só pele. O suor das sensações era o que as grudava. Grudava e davam um gosto salubre as palavras. Grudava e matava a sede das línguas.

Eram faíscas que começavam brotar no ar. Brotavam nos corpos. Tenho duvidas se não era apenas um corpo. De tão próximos, de tão dentro um do outro. Contrariando as leis da física.

As faíscas ascenderam o estopim da paixão. Que foi queimando deliciosamente pelas colunas daquele corpo único que eram dois. Uma explosão! Os corações se encarregaram do estrondo. As bocas cuidaram dos gritos de surpresa. Os pulmões eram responsáveis pela respiração pesada de emoção.

Eram dois corpos sobre os lençóis. Juntos, muitos juntos. Vejo-me novamente nos olhos dela. Minha mão corre seu rosto e afasta uma mecha de cabelo. Recebo um sorriso e devolvo. Beijo seus lábios. Procuro todas as palavras que conheço para agradecer aquele momento. Ela só diz “eu te amo” e faz bem melhor que eu.

A paixão começa a dar lugar ao amor pouco a pouco. Mas os corpos não desgrudam. Dentro daquelas paredes todo parece estar no lugar certo. Lá fora está tudo errado. Dentro tudo é perfeito. Lá fora mundo está acabando. No entanto, nenhum dos dois está dando a devida atenção. Ela fica indiferente. Já eu, desejo é que o mundo exploda mesmo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Investigação

Às vezes me perguntam de onde tiro tudo que escrevo. De certo não vivi todas as minhas letras. Nem nunca fui tão triste, nem tão feliz. Mas nunca soube dizer de onde tudo vem. Em certos momentos até eu quero saber. Olho para o papel, vejo as palavras e pergunto de onde elas vêm. Elas nunca me respondem, então eu tento inventar. Dizer que vêm de D’us não satisfaz alguém tão cético quanto eu. Dizer que saem da minha cabeça é prepotência demais até mesmo para mim. Olho para o meu ombro, desço pelo braço, antebraço, dedos, unhas e olho como o detetive que encontra o bandido. Faço minha melhor cara de mau e dou voz de prisão à caneta que corre pelo papel. Encontrei meu culpado, achei minha caixa de Pandora. Devo trancafia-la de vez ou inundar o mundo com todo tipo de aberração que existe lá dentro. Penso bastante nos prós e contras de tudo isso, mas deixo a caneta correr...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Pleine de grâce

Eu disse “alô”. Do outro lado do telefone saiu uma voz que eu jurava que nunca mais iria ouvir. Pedi para que meus ouvidos estivessem me enganando e perguntei para ter certeza. Um “quem é” de quem já sabe quem é.

Sim, era ela. Falou seu nome como se eu tivesse obrigação de ter lembrado. Tentei desconversar com um “ah, mas faz tanto tempo”. Gaguejei mais vezes do que podia ou devia.

Puta merda, era ela. O que queria? Para que inferno foi me ligar? Perguntou como eu ia. Não como eu estava, mas como eu ia. O que alguém quer saber quando pergunta como se vai? Eu disse que ia como sempre, um pé na frente do outro. Devagar. Sempre para frente. Bom, às vezes para os lados, principalmente quando preciso desviar de quem vem na contramão.

Ela riu. Eu lembrei daquele riso. Era só meu. Só usava quando eu falava bobagens para ela rir. Ela usou exatamente aquele riso e felicitou por estar bem.

Corrigi, claro. Disse que ela tinha perguntado como eu ia e não como estava. Como sabia se eu estava bem. Ela disse que só sabia e perguntei porque ela ligou se sabia. Disse que queria ter certeza.

Alguns minutos de silencio.

Ela disse para eu falar. Eu perguntei “o que”. Ela disse para falar qualquer coisa e perguntou se eu não queria saber como ela estava ou como ia. Eu respondi que não queria saber nem uma coisa nem outra. Fui sincero. Duro, mas sincero. Tentei não fazer, mas fui sincero.

Ela disse que então tava. Mais silencio.

Ela ia começar a falar e eu também. Ela foi educada e me deu a vez de falar. Eu disse “tchau”. Assim só tchau. Daquele jeito regionalista quase esquecendo o tê. Ela disse tchau e ia dizendo beijo, mas desistiu no be e disse abraço.

Depois eu só ouvi “tuuuuu” de outra voz mais conhecida. Demorei algum tempo escutando isso, como se esperasse a voz dela voltar. Não voltou.

Fui para o meu quarto, deitei na cama, procurei um cheiro que estava sentindo na memória e então durmi.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Mais sobre o tempo

Quando se sabe que o tempo passou?

Que o presente virou passado e que as feridas se fecharam?

Elas fecham mesmo ao perdem a sensibilidade?

Voltam a doer por serem tocadas ou por serem reabertas?

E quando a dor das feridas vira prazer, é por que o tempo passou ou porque se vira masoquista?

O tempo é problema e solução.

O tempo é motivo para o fim do amor, da vida e também do sofrimento, da dor...

O tempo é medico e doença.

- Dr Tempo, eu vi aqui no seu consultório porque fui acometido do mal do tempo. Estou com todos os sintomas. Saudade das décadas do passado distante, ódio pelos anos do passado próximo, dormência nos dias do presente e peso para chegar às horas do futuro. Creio já esta em fase terminal devido a intensidade dos sintomas doutor. O que devo fazer? Isso tem remédio?

- Tem sim! Sente e espere. O remédio tempo vai fazer efeito logo e você nem precisa tomar.

sábado, 6 de junho de 2009

Sobre a influencia dos astros

Era um lugar separado. Grades. Tudo isso no meio de uma grande casa de alegria. Um lugar separado para aqueles que têm o mau costume de respirar fumaça. Estava eu lá. Fazendo companhia a solidão dos outros.

Outros estranhos exibindo suas roupas mais chamativas, de mais personalidade de que os próprios donos. A fumaça enchia a sala saindo dos palitos brancos de ponta vermelha. E eu estava lá. Sozinho. Fazendo companhia a solidão dos outros.

Suguei um pouco da fumaça. Esperei que ela corresse no meu sangue e soprei boa parte num jato uniforme. Na nuca os efeitos da fumaça começam a surgir lentamente. Um formigamento, a cabeça mais leve. Assim os pensamentos voam mais rápido.

Eu tento acompanhar todos. Só tento, sem conseguir. Na verdade minha meta era só tentar mesmo. Alcanço um e fico ruminando ele por alguns momentos. Solto e pego outro e mais outro e outro... me percebo só com meus pensamentos. Fazendo companhia a solidão dos outros.

Penso em quase tudo. Quase tudo. Só não acompanho todos os pensamentos. Eles vão passando, se misturam a fumaça que se mistura com a fumaça dos outros e sai pelas janelas. Fora, Pedro é que faz a festa. Esta tudo molhado. O céu, os telhados, as paredes, os carros e até os paralepípedos estavam molhados, úmidos. Minha boca estava seca. Por causa da fumaça talvez, ou por estar só. Fazendo companhia a solidão dos outros.

Penso em que poderia quebrar tudo isso se não eu. Quem poderia transformar minha charneca num jardim. Um jardim que tivesse ao menos um pouco mais de cor. Um jardim que tivesse ao menos uma Rosa. Seria assim eu cuidando da Rosa e ela fazendo da minha solidão algo de um passado distante. Ficaria ela e eu deixando na solidão a solidão dos outros.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Num tributo a Bob Marley

Suas mãos em meu rosto me chamaram implicitamente para um beijo. Mesmo que não quisesse seria impossível resistir e como eu queria! Acordei ainda com o peso da noite anterior na cabeça e ainda sonhando que esse momento poderia acontecer. Tomei banho pensando nisso, me vesti pensando nisso. Até não vesti a roupa que ela me pediu só para enganar que não estava pensando nisso. Enganar a quem? Somente a mim lógico.

Cheguei mais cedo que o normal, fiz mais amigos que o normal e ela não chegava. Decidi que devia aproveitar a festa e ela não iria chegar ou não iria me achar como em vezes anteriores.

Errei! E como adorei aquele erro. Ela me abraçou, beijou-me o rosto falou depois saiu. Reencontramos-nos e mudamos de festa.

Conversamos, bebemos, encontramos amigos, andamos e quando não me lembro o que vi que suas mãos em meu rosto me chamaram implicitamente para um beijo. Mesmo que não quisesse seria impossível resistir e como eu queria!

Beijei! E o mundo sumiu, a musica parou, o calor num era mais nem frio. Eu só sentia minha mão nas costas dela e dela na minha nuca. Sentia nossos lábios. Sentia o coração, não o meu. Sentia nossos sentidos, por vezes um, por outras um milhão e não quis mais parar de sentir...


...acordei vendo o nascer do sol em plena segunda-feira nublada as seis da manhã...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A infelicidade de ser D'us

Eu queria o dom dos poetas e afogar minhas magoas nas palavras ou morrer afogado nas letras que elas produzirem. Escutar de alguem que leu todo meu desespero um sutil: "que lindo". Não deixar o meu olhar fosco de tristeza e dividir seu brilho com a tinta que levara para a eternidade a descriçao lirica de meu sofrimento. Fazer reverencias (baixando a cabeça) a aplausos destinados a leitura pomposa de minhas desçraças.
Ah meu D... É isso!
Talvez seja de uma fé num d'us que eu precise. Um d'us exigente e caprichoso que me faça seguir pelo caminho de suas maravilhas frivolas, por entre as pontes do arco-iris ate um pote de conformismo. Um ser que me presentei com bitolas douradas, corte-me as asas, ate minhas maos e pes e me proiba de pensar e criar.
O sofrimento veio a Adão e Eva quando eles quiseram produzir e serem criativos. A magica da vida é acompanhada com todo tipo de paradoxo torturante. Ser um d'us não é assistir a desenvoltura de uma fazenda de formigas, e sim, sentir toda a dor necessaria para se criar algo mais e ouvir alguem comentar do outro lado do vidro:
- Não é lindo?
- É a cara do pai!

"Entrego-vos meu novo mandamento:
- Eu sou meu D'us, não amarei outro se não a mim."

Olhares

É tdo um jogo...
Depende somente do angulo da luz, do angulo de qm olha...
É mais geometria do que vida...
A vida poderia ser mais matematica do que é normalmente...
Mas ai não seria vida... Seria uma tabela de cossenos...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Cretinice

Acordou com o toque do despertador. De bruços assim como tinha ido dormir. Estava apenas de cueca e coberto pelo lençol.
Virou-se e o resto do corpo foi acordando. De baixo para cima. Começou sentindo os pés, grandes demais para o resto do corpo. As pernas finas e peludas deram sinal de vida. O joelho, ainda machucado pela queda no fim de semana, se mostrou presente. Depois foi a vez das coxas flácidas e magras, seguidas pelo pênis rígido pelo amanhecer. A barriga seca acordou junto com o peito formado quase pelas costelas apenas. Dando continuidade o pescoço despertou para que todo corpo se unisse a cabeça grande e oval.
Completamente acordado (ao menos no que se refere ao físico) ele levantou e foi ao banheiro. Urinou por mais tempo do que fazia no resto do dia, seu pênis finalmente ficou flácido. Ficou próximo ao chuveiro e mesmo com ele aberto pensou algumas vezes antes de ficar sobre a água fria. Tomou coragem e o fez. Tomou um banho rápido, se enrolou na toalha sem se enxugar como devia e foi para frente da pia. Escovou os dentes até as gengivas sangrarem. Depois escovou os cabelos com menos empenho.
Saindo do banheiro ainda pingando a água do banho, pegou a primeira cueca limpa que estava na gaveta entreaberta. Vestiu. Depois vestiu uma caça de jeans azul escuro. Atou o cinto. Passou desodorante nas axilas, daqueles com uma bolinha na ponta. Abriu outra gaveta e demorou um pouco escolhendo uma camisa. Acabou por vestir uma camisa preta com detalhes azuis. Velha, mas não aparentava tanto. O tênis completou o vestuário do dia. Pos perfume, pegou a bolsa e saiu.
Foi andando até o ponto do ônibus, passou pela vizinha fofoqueira e deu seu bom dia falso, recebeu um quase tão falso. Acenou para o jornaleiro. Atravessou a avenida e finalmente chegou ao ponto. Após cinco minutos de espera achou estranho que tão poucas pessoas estavam esperando a condução. Mais doze minutos e ele resolveu olhar o relógio. Só então percebeu que era domingo e não teria expediente no trabalho.
Voltou pelo mesmo caminho. Acenou novamente para o jornaleiro, a vizinha não estava mais na rua. Entrou em casa, voltou para quarto, tirou toda a roupa. Toda mesmo, ficou completamente nu. Deitou na cama ainda quentinha, se cobriu com o lençol que ainda guardava seu cheiro e se entregou aos braços de Morpheu para o sono dos justos. Afinal de contas era domingo e não teria expediente no trabalho.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Uma Rosa entre as Margaridas

Por que não posso eu querer a Rosa por assim ser

Escolho a Rosa que não é rosa só se faz parecer

Sendo mesmo uma Dália, uma Orquídea ou qualquer outra flor

Escolho o cheiro não pelo perfume e as pétalas não pela cor

Escolhi aquela que não se mostra e sim, capta a pose

Escolhi para minha flor não a Rosa rosa, mas a rosa Rose

Perdi-me a enganar-me no seu nome como todo mundo se engana

E quando meu peito bate não sei se bate Rose ou se bate Rosana

terça-feira, 5 de maio de 2009

Para um beija-flor de Venus...

Lembra a cor das minhas pétalas Beija-flor, antes do teu beijo?

Lembra do cheiro antes de sentir teu cheiro?

O rubor brilhante da minha fronte Beija-flor é fruto do teu beijo.

E o cheiro doce que espalho não é o meu, mas o teu cheiro.

Desejo Beija-flor o toque aligeiro dos teus lábios com o fascínio do brilho das tuas asas.

Desejo Beija-flor o toque do teu beijo para sobrepor minha cor por entre as dálias.

Nada sou Beija-flor sem teu mágico toque de beleza.

Nada sou Beija-flor se distante você esteja.

Eu só quero Beija-flor ser a flor do beijo.



domingo, 3 de maio de 2009

Sobre o tempo

Não quero alguém para gastar meu tempo, quero alguém para dividir minhas horas.

Alguém para quem eu não seja um peso quando estiver no seu colo, que eu não seja um chato quando precisar falar minhas besteiras.

Alguém que me diga não as vezes e que me diga sim as vezes.

Alguém que me acompanhe nas loucuras.

Quero alguém que após me presentear com uma linda gaiola vá ate a porta dela abra e jogue a chave fora.

Quero alguém com quem fazer amor com todo carinho e depois fazer sexo como animais.

Eu quero o que Adão queria quando recebeu Eva e perdeu a costela.

Quero ter passos ao meu lado quando resolver andar sozinho.

Quero companhia para uma farra na sexta a noite e para uma tarde preguiçosa de domingo.

Não quero alguém para gastar meu tempo, quero alguém que fala valer os movimentos dos ponteiros do relógio, ou que os faça parar com um abraço.

sábado, 2 de maio de 2009

Já que distante

Porque a distancia afeta tanto o físico se o pensamento voa tão longe, tão rápido. Quanta saudade, quanta vontade de ter ela entre meus braços. Sentir sua pele, sentir seu cheiro, ouvir sua voz. Apenas ter a certeza de estar próximo.
O que posso falar de certeza quando falo dela? Nada! Não sei do que ela sente não sei suas vontades, seus sentimentos. Quando se fala dela surgem inúmeras duvidas. Será gosta? Será que quer? Tem saudades? Só uma certeza há quando se refere a ela: eu me sinto distante fisicamente.
Tudo que se refere dela a mim tem o formato de uma grande interrogação, como um coração divido ao meio. No entanto se tudo fosse uma exclamação gritante com certeza minhas certezas seriam um tanto diferentes.
No momento fica a falta, a necessidade, ligo mais tarde e ouço sua voz. Vai ser um tanto aliviador a ouvir falar qualquer coisa daquela forma como se nada tivesse a divida importância. Como será bom...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Novidades

Pessoal estou de blog novo! Algo mais tematico dessa vez, o que não deixa de ser interessante em certos momentos...
Juntei passagens de um passado distante e as experiencias do presente e criei o

"Cartas de um desromance de cartas"


que pode ser acessado via: http://desromancedecartas.blogspot.com/

"Cartas de um desromance de cartas" traz cartas de alguem que se denomina Rei de Espadas para um amor do passado que ele cita como Rainha de Copas. Nessas cartas o Rei tenta explicar o que sentiu e o que sente agora a respeito de sua Rainha. Nem sempre ele consegue claro.
Que fique bem claro que esses textos sao ainda mais fictivos que estes que voces encontram no "Phrases Despheitas". E por falar nele, o "Phrases Despheitas" continua e farei o possivel e o impossivel para que fique melhor a cada dia.

Sem mais no momento.

Abraços a quem me lê.

terça-feira, 28 de abril de 2009

O Tagarelão

Cheguei com a chuva, assim como se fosse um relâmpago. Não pelo brilho, nem pela força, muito menos a velocidade, só porque cheguei com a chuva. A mala nas costas, as obrigações à frente e o coração deixado para traz. Volto a ser mais uma engrenagem da maquina. Olho ao redor e enquanto chego as outras engrenagens já estão se dirigindo as suas posições na maquina. Olho para trás e me da vontade de voltar, na verdade eu sinto vontade é de não ter voltado. Deixar as certezas frias pelas duvidas calorosas. Novamente olho para frente e para traz. Tento escutar meu coração. O que ouço só me da mais certeza de que é melhor entrega-lo a quem não sabe o que fazer com ele a entregá-lo a quem não sabe o que ele é.

Abro os olhos e decido que cheguei e pronto. Então a vontade de ir novamente para la se reaquece. Volto a contar os dias. Torço para que aquele relógio já tenha sido consertado, ou que nunca tivesse quebrado. A verdade é que cheguei mesmo. Cheio de duvidas e desejos. Chego apenas com a certeza da rainha vermelha: “É necessário correr e mais correr, com o maximo da velocidade, somente para permanecer no mesmo lugar. Se você quiser chegar a algum outro ponto, deverá correr pelo menos com o dobro da velocidade.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fiado só amanhã

Acordo com os olhos marejados, baixos. Penso ainda estar sonhando, pois vejo tudo numa escala de cinza, sem branco nem preto. Nada tem movimento, nem as folhas balançam ao vento. As pessoas, os carros, os pássaros se movem parados, como o passar de fotos num álbum. Olho minhas mãos e vejo sua cor amarelada. Fecho e abro os dedos e vejo o movimento. Sou eu, ou mundo que está estranho?
Lembro das cores dela. Olhos, cabelos, os sinais da pele, os lábios. Na minha cabeça faz tanto tempo que nos vimos, parecem meses, anos. Talvez seja. Mesmo assim lembro das cores e de cada lugar que as cores estavam.
Fecho os olhos e as lembranças ficam mais fortes. Uma musica significativa passa a tocar no meu ouvido. Não foi magia, mas sim o radia no meu bolso. Lembro de não me incomodar de ser menino e querer ser um homem, às vezes ate conseguir. Lembro de olhares que falaram mais que quaisquer palavras. Risos. Sorrisos. Abraços. Passos.
Abro os olhos na esperança da cor da lembrança ter infectado o resto do mundo, mas tudo continua cinza. Atravesso a rua vendo os carros mudando de posição sem os pneus rodarem. Fica o desejo de um novo dia talvez o sonho traga as cores que desejo e amanha os pássaros batam as asas para voar...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Crônica do amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

Arnaldo Jabour

terça-feira, 14 de abril de 2009

Mantra

Ouvi de mais alguém a máxima que diz: "Não sou feliz, tenho momentos felizes.". Adoro máximas, ditados e pensamentos, mas desprezo esse de forma incondicional. Eu sou é feliz e tenho momentos de tristeza. O que acontece é que tristeza é memória curta, intensa agora e breve na posteridade. Já a felicidade é memória fixa e fica marcada com mais intensidade no por vir.
Sou feliz por que amei, por que sorri, por que me ergui. Por que fui beijado, por que fui aceito, por que venci. Por que fui amado.
Mas estive triste quando odiei, quando chorei, quando cai. Quando fui estapeado, quando fui negado, quando perdi. Quando fui rejeitado.
Veja que a felicidade esta na razão dos porquês enquanto a tristeza esta no momento dos quandos.
Hoje nos vemos tristes, mas nos lembramos felizes ontem. Amanha também vai ser assim.
Por isso sou intenso, porra-louca mesmo. Estampo o brilho do sol no sorriso e choro com a chuva (na verdade deixo ela chorar por mim). Eu quero mais é o mais. Quero rimar minhas musicas e cantar meus poemas. Pintas minhas fotos, clicar minhas esculturas e esculpir meus quadros.
Sempre para frente, buscando os brilhos nos olhos alheios, o calor dos abraços e a satisfação das risadas.
Eu quero tudo, o que mais poderia querer?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Eventual

Relendo com calma alguns comentarios de textos antigos postados aqui, percebi o quanto as pessoas enchergam veracidade nas minhas palavras. Alguns me enviam frases de apoio (o que é muito bom), outros se identificam (o que é otimo) e sempre imaginam que esteja vivendo aquelas palavras.
Pois bem...
Nem tudo que se tem escrito aqui sou eu hoje. Muita coisa são eus do passado e outras são eus que nunca existiram. Utilizando desse senso de multiplicar eus, tomo as palavras do porta que melhor fez isso:
"O poeta é um fingidor
Fingi tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente"
Sei que estou meio distante de ser um "poeta", mas tambem sou alguem que sente pelas palavras e descubri que as pessoas sentem pelas minhas.
Sendo assim, meus amigos, quando se verem tocados pelas minhas palavras saibam que nem sempre sou o eu-lirico da trama, mas serei sempre eu tocando de voces. Se não puder ser com abraços, que seja com sentimentos.

sábado, 28 de março de 2009

Maquiavelismo

Me vi no passado e fiquei a me fintar. Vi que percebi esta sendo observado, mas fingi não notar. Fiquei meio de lado, depois dei as costas. Olhei mais fundo e falei sem esperança de ser respondido:
- Às vezes sinto saudade de você.
Como resposta me perguntei assim “entre os dentes”:
- E o que você faz nesses momentos?
Respondi com uma sinceridade quase divina:
- Antes eu ficava triste, ate chorava, mas hoje... eu sento e espero tudo passar.
Novamente me questionei:
- E quando passa o que você faz?
Respondi:
- Eu sigo em frente.
Não houve mais questionamentos e eu voltei a ser ignorado. Minha vida era bem mais colorida do lado de lá do que do de cá, por isso não achei errado o que ele fez. Observando melhor a situação, cheguei ate a pensar que tinha imaginado ter ouvido aquelas perguntas. Acho que não perderia meu tempo com esse tipo de conversa. Não no passado. Com certeza devo ter imaginado.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Visoes

Adoro janelas. Sao verdadeiros seres magicos que nos mostram coisas ainda mais magicas. Sempre que volto do trabalho passo todo o tempo olhando o mundo passar pela janela do onibus. Alguma coisa com certeza vai me chamar atençao durante a viagem. Uma placa, uma pessoa, um grupo de pessoas... qualquer coisa vai acontecer, eu sei. Nem que seja a expectativa do final. Quanda a estaçao apontar na minha janela eu vou esticar o pescoço para ver se ela esta la. Vou olhar os locais mais provaveis, pedido as D'uses que ela esteja. Vou pensar com meus botoes: se ela estiver eu passo por outro lado e não falo. Eu me obrigo a pensar que vou fazer assim, mesmo tendo certeza de que se ela estiver, eu vou me aproximar com o sorriso mais largo do mundo. Vou receber aquela massagem de estar ao lado dela. Aquele descompaço no coraçao. Ate que venha mais um onibus para levar um de nos e novamente uma janela me de uma visao magica. Magica e triste na verdade. Magica, porem triste de ver ela ir ou ficar.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Charneca do talvez

Vivo mais uma parodia do meu conto de fatos. Adoro dizer que vivo. Não vegeto, não sobrevivo, eu vivo. Vivo, com todos os ypisilônes que viver pode conter. Quando me descrevo falo do sim e do não. Falo da duvida e da certeza. O que não tem dois lados, tem três, ou mil, ou milhões.
É tudo tão imenso que certo vira errado, e o errado perfeiçao. Muitas vezes é tão grande que passa dispercebido, ou incomoda como flerpa na unha.
E me prendendo mais agora que ou todo. Me vejo com a sorte de quem aposta num dado viciado. Tendo sempre seis chances, sabendo vai dar uma (sempre essa uma) teimo a apostar nas outras cinco. É preciso muita coragem para sim. É preciso muita coragem para burro, agir como burro e pensar como burro de proposito e repetidas vezes.
Fico na expectativa sutil de trocar para meu dado, aquele caotico. De seis lados e infinitas possibilidades. Quero todos os talvez, depois quero todos os sins. So assim entao chegar e olhar naqueles olhos de acaso, olhos de momento, de desespero e porens e dizer não a ela. Dizer não a ela no lugar de dizer ela ao não.

terça-feira, 24 de março de 2009

Estamos com fome de amor

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.
Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz!

Arnaldo Jabor

Obrigado por me enviar isso Luciana, concordo em grau, numero e genero!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Paradoxo

Estou no dilema da zebra. "Não sei se sou branco de listras pretas ou preto de listras brancos?"
Sei é que me Sancho Pança olha para mim e diz: "Faz tanto tempo que tu não vê sol que estais é amarelo!"

sexta-feira, 20 de março de 2009

Reencontro

Cheguei ontem em casa era quase meia noite... Triste, cansado, chateado. Nem falava.
Fui direto para a cama, li um pouco e durmi. Então ele veio, converçou comigo. Nos saimos,
fizemos coisas juntos. Coisas que faziamos em tempos menos cinzas. Coisas de pai e filho. Passamos todo um dia juntos. E as 5:12 da manhã ele foi embora. Acordo aos prantos por sua mais recente ida e por toda a sua falta.
Quanta saudade! Um dia só não mata tanta saudade.
"Voce sabe que voce é meu idolo!"

quinta-feira, 19 de março de 2009

Percebições

MESMO COM TODO ESSE CALOR
ME BATE FRIO NO CANTO DOS OLHOS
MEU SORRISO É BANHADO POR LAGRIMAS
AINDA ESTOU SOZINHO
MESMO COM TANTOS E TAO BONS AMIGOS

A Dama de 1000 nomes

ALGUEM DO PASSADO ME VIU CONTENTE
E PERGUNTOU O NOME DELA
ELA AINDA NÃO TEM NOME
NÃO TEM ROSTO
NEM CARNE
NEM OSSOS
ELA NÃO QUER SER ELA
ELA ESTA LONGE DELA
ELA TEM MEDO DE SER ELA
ELA NÃO SABE QUE É ELA
O NOME DELA É DUVIDA
ELA TEM TANTAS CURVAS QUANTO UMA INTERROGAÇAO
OS OLHOS DO MISTERIO
COM COR DA IMPRECISAO
E COBERTO POR TINTAS DE ILUSAO
TEM A BOCA MASCARADA POR OUTRAS CORES
LABIOS DE DESEJO E PERJURIA
O SEU COLO TEM VARIOS PERFUMES
MAS NENHUM É DELA
SEUS DIAS SAO DE UM CANSAÇO OCIOSO
DIAS DE VENCER BATALHAS JA PEDIDAS
EU RESPONDI QUE ELA NÃO EXISTIA
NÃO EXISTIA AINDA
MAS SEI QUE ELA EXISTE
E SE FAZ PRESENTE NOS MEUS DIAS
EU APENAS NÃO SEI NADA DELA

segunda-feira, 16 de março de 2009

Reflexo

Olho no espelho e não vejo quem eu via no ano passado.
O mesmo brilho dos olhos são outros.
A mesma expressão das sobrancelhas é outra.
O ritmo da voz. O senso de justiça tão caótico.
O certo. O errado. Os meios termos.
“A verdade” agora são “as verdades”.
O “para sempre” dura segundos. O “eterno”, piscar de olhos.
O caminho não deixa rastros. Tudo que é bom segue com quem o acompanha. Tudo que é ruim vira uma lição.
Liberdade é lei. A lei é a felicidade. A meta é o sorriso. O desejo é mais um passo.
O paraíso esta em cada abraço.
Em cada esquina um amigo. Inimigos, quem são?
O mal é o equilíbrio do bem.
O que quebrou foi remendado. O que foi destruído, reconstruído esta.
As flores que morreram, hoje são adubo para o jardim que cresce cada vez mais colorido.
Tudo é tão grande que o infinito cabe numa caixinha de fósforo.
Olho no espelho e não vejo quem eu via no ano passado.

domingo, 15 de março de 2009

Precioso

Ontem foi mais um dia da minha vida com voce, ou menos um sem voce. Qual dos dois não sei. Parece que voce tambem não sabe. Ontem foi mais um dia nosso. Não sei se juntos ou proximos. Mas tive certeza que estivemos lado a lado quando no fim do dia uma parte da minha camisa cheirava a voce. Não o cheiro das frutas, mas o seu cheiro. Aquele que voce nasceu e vai morrer com ele. Foi mais um dia onde rimos da mesma graça, bebemos do mesmo copo e misturamos nossas salivas.
Que hajam mais dias juntos ou proximos.
Que o futuro seja manso.
Que os relogios nos satisfaçao.
Que o presente faça jus ao proprio nome.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Labirinto

Hoje acordei descobridor. Descobridor e comparativo. Descobrir na maioria das coisas o obvio, o que nao deixava de ser descobertas. Numa delas, decobri que realmente tenho mais dos meus pais do que pensava. Assim como meu avô (representando a figura de pai), sou um viciado em rotinas. Eu que me considerava tao louco, tao moderno, tao energetico, adoro uma rotina. Percebi isso quando mais uma vez o atendente da lanchonete onde faço abtualmente meu cafe da manha, falou meu pedido antes de mim. Era a primeira vez que esse atendente fazia isso nessa lanchonete. No entanto, em outras oportunidades, em outros estabelicimentos outros atendentes ja havia feito o mesmo.
Descubri que sou nostagico. Um fissurado no passado. Vivo a certeza maquiavelica de o passado foi melhor que o presente. Toda via, invisto minhas esperanças no fato que o futuro sera melhor. Nisso eu invisto pesado e sem pena. Abandono meu lado economista e assumo um ar de jogador. "Tudo no vermelho 27!"
O dia segue na base das descobertas. Espero novas. Adoro novidades e descobertas sao novidades. Quem passem as horas e venham boas e mas novas. Se a vida nao é clara vou tatear no escuro ate descubrir o que tudo... tudo mesmo.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Sede

Ontem a noite vi tuas palavras jogadas no espaço. Ouvi e pensei cada uma. Dormi. Acordei desejoso que eles fossem pra mim.
Mesmo sendo palavras jogadas.
Mesmo estando soltas no espaço.
Mesmo que elas fossem suas e só suas. Eu as queria para mim.
Tirei-as do espaço e pus no papel. Ainda que fisicamente eles tivessem comigo ainda não eram minhas. Eu apenas as encarcerei num paraíso branco.
Eu não queria as palavras, mas sim, as palavras. Toda sensação de breve que elas falavam. Todo o não saber. Todo o saber. Todo o querer.
Estou pensando tuas palavras e por pouco não as escrevo.
Eu quero você e suas palavras.

terça-feira, 10 de março de 2009

Conta corrente

Dez... Faltam vinte e um...
Vinte e um para um velho ciclo se fechar.
Novos já se abriram. Alguns já fecharam. Outros permaneceram.
Esse se fecha. Fecha porque esta completo.
Não respiro mais seu ar. Não vejo mais com seus olhos e não sinto com sua pele.
Sou novo e serei ainda mais novo. Faltam apenas vinte e um. Pois hoje são dez.
Meus novos olhos brilham, minha nova pele é macia. Respiro um ar mais puro.
O ciclo esta completo e se fecha. Só faltam vinte e um.
Adeus mundo que não vive. Beijos que não beijei. Lugares que não conheci.
Sou novo, num novo mundo. Onde tudo tem um cheiro de intensidade. Onde se vive algumas vidas ao mesmo tempo. Cada dia me traz lições que me fazem crescer. Cada dia traz um sol mais dourado e cada noite uma lua mais prateada. Quanto tempo que eu não via a lua. Quanto tempo não beijava com paixão. Quanto tempo não agia por impulso, por vontade, por tesão. Agora faço, caminhado a passos de formiga eu vou crescendo e passo a fazer. Dia a dia. Faltam vinte e um. Só faltam vinte e um.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A Ribalta e a Cortina.

Atualmente começamos relacionamentos fadados ao fracasso. Esperamos o grande amor de nossas vidas que nunca vem. Idealizamos pessoas perfeitas que não existem e nunca existimos como as pessoas perfeitas que os outros esperam de nos. Somos traídos a cada minuto, não importa se próximos ou distantes. Traídos no pensamento, na ação e no sentimento. Somos traídos e traidores da fidelidade. Matamos o amor e a fidelidade (não necessariamente na mesma ordem). Continuamos dia após dia a matá-los com requintes de crueldade. Verdadeiras chacinas. Massacres e holocaustos dignos de nazistas. Estou meio cansado de participar dessas seções passivas de tortura. Não estou mais disposto a ser nem carrasco nem vitimas desses suplícios. Visando um ritual de ressurreição para amor, decidi abdicar da fidelidade em seu termo básico. Ate quero, mas não faço mais questão de alguém fiel a mim. Fidelidade vira, a partir de agora, jargão arcaico. Daqui pra frente, de mãos postas com amor, solicito lealdade. Quero alguém que seja leal ao que me prometa, mas que não me prometa nada. Que seja leal ao me pedir somente aquilo que poder dar. Que me cuspa na cara verdades doidas e recém nascidas. Que me beije somente quando queira. Que façamos sexo quando precisarmos de sexo e amor quando precisarmos de amor. Que seja dito a verdade quando as lagrimas rolarem, não importando se isso vai fazer elas pararem ou correrem mais rápido. Não quero ser ninguém, exceto eu. Não quero ser de ninguém, exceto meu. Também não quero que ninguém queira ser eu ou ser meu. Quero alguém que ande num caminho o mais paralelo possível ao meu. Não quero o caminho de ninguém e não divido o meu.
Eu quero amor, mas não quero amor lírico.
Nem violento, nem doce.
Nem certo, nem errado.
Nem sujo, nem puro.
Nem santo, nem pecaminoso.
Quero o sorriso dos clowns e as lagrima das fontes.
Os abraços dos amigos e as tapas dos inimigos.
Quero motivo e amparo para as lagrimas.
Quero dar e receber razões para sorrisos.
Quero a meretriz e a virgem na minha cama.
Eu quero amor e lealdade na eternidade breve que me forem concedidos.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ja dizia Socrates...

Certas feridas não se curam, apenas viram marcas. Estao sempre la. São acomodadas. Acabamos por esquecer delas. Alguns poucos amigos sabem que guardo na perna direita uma cicatriz de um pessimo momento do passado. Entao posso afirmar com um certo ar de entendimento sobre isso.
Outros pouquissimos amigos sabem de outras marcas que guardo. Geralmente muito bem guardado. Bem guardado até demais as vezes.
O pior dessas marcas é quando vez ou outra elas fazem questao de ser lembradas. Elas aparecem nas esquinas, nos fiteiros, nas vias ou quando algum filho da puta faz questao de meter o dedo. As vezes sem querer, outras so para te ver se contorcer com a dor. Existem masoquistas.
Apos serem remechidas, elas se abrem novamente. Novamente é preciso se esforçar para que elas fechem. Cada vez o esforço é menor, mas ainda existe. Ainda continua sendo esforço.
As minhas feridas se fecham cada vez mais rapido. Algumas eu nem senti mais. Quando reabertas, causam umas dores forçadas, doídas, cansadas que nem doem mais. Toda via, mesmo não havendo dor, as marcas continuam vivas. Estao sempre la. Muitas delas me fazem o que sou hoje. Talvez eu nao fizesse questao de ter algumas, mas cada uma delas é importante para me definir. Elas juntas sao boa parte do que eu sou, do que eu vivi. E todos os meus amigos sabem que de viver eu não me arrependo.

terça-feira, 3 de março de 2009

Natureza

Fato 1: Passo a semana levando chuva para ir e voltar do trabalho
Fato 2: Minha mãe me mandar comprar um guarda-chuva
Fato 3: Passo o maior toró no mesmo dia
Fato 4: Compro o guarda-chuva
Fato 5: PARA DE CHUVER!

Eu quero inaugurar meu guarda-chuva!
Se não chuver amanha eu inauguro ele no chuveiro!

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Raiar do dia

Abri meus olhos na preguiça da manha e vi um dia cinza. O ceu chorava. Chorava forte. Vi que dessa vez ele nao chorava por mim, nem para mim. Tambem nao quis chorar com ele. Traindo todas as vezes que o ceu verteu lagrimas no meu lugar, quando ele chorou forte hoje eu sorri. Um sorriso de canto de boca. Eu estava com preguiça mas estava sorrindo. No animo de alguem que acorda cedo em pleno sabado para ir trabalhar. Mesmo assim era um sorriso.
Enquanto o ceu chorava eu sorri. Quero continuar sorrindo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Diana Prince

Dia a dia eu me surpreendo mais com esse ser mulher. Mesmo tendo em casa um exemplo magnifico de como pode uma mulher ser feroz-guerreira, doce-meiga, muralha-forte, brisa-leve, estupida-grossa, infinita-sabia... tudo ao mesmo tempo. Mesmo vendo isso no meu cotidiano ainda consigo me ver boquiaberto com o potencial das mulheres.
A intensidade com que amam. A cerca que criam para se proteger. Seu humor. Sua candura. Seus cheiros. Seu apego aos detalhes e ao simples.
Me surpreendo como coisas tao masculas podem se tornar tao doces quando realizadas por uma mulher. Vi o peso de um maracatu se tornar sereno e charmoso. Rosas perfumaram as ladeiras de Olinda mostrando que musica é feminino nao so na palavra. Onde quer que se va sempre sera a musica.
Vi uma pequena mulher guardar um amor tao grande que libertava e prendia ao mesmo tempo.
Vi uma mulher magrinha e doce mostrar os musculos do seu ego. E como eles eram grandes.
Vi uma linda mulher, se tornar uma menina querendo ser. Depois virando uma mulher que era, depois mudou para uma menina que queria. Depois uma mulher que crescia. Isso em tao poucos dias que estou com um medo ansioso de ver no que ela vai se tornar na proxima vez que a vir.
Desisti de compreender as mulheres e resolvi admira-las. Penso que agora sigo um caminho melhor.

Noticias antigas...

Hoje ao ouvir uma musica especial (qual delas não é?) tentei chorar um amor passado. Nao consegui. Nao pela fato da minha incapacidade de verter lagrimas, mas pela certeza de sentimentos. Hoje tenho a certeza de que tive um amor bom que terminou de forma estranha como a maioria, mas foi um amor bom. Passou. Virou lembrança. (Isso tambem é bom). E tudo que ele é hoje é um amor bom do passado, que merece os risos e dancinhas estranhas que fiz (depois que percebi que nao ia chorar). Passei desse momento com um gostinho de quero mais. Nao desse amor, mas do Amor. Que o proximo seja um amor bom. Ate melhor que o bom do outro. Eu amo o Amor.

Novidades

Toquei meu pescoço e me senti quente. (Não era febre). Pus a mão no peito e senti meu coração novamente. Isso é bom. É renovação. Cai na besteira de ler meus textos e vi que não escrevo mais de triste. Escrevo de vivo. De contente. De revoltado. De desejoso. De surpreso. De feliz. Escrevo para extravasar, por para fora. Escrevo para dividir com todos e não mais porque não quero aquilo dentro de mim. Escrevo por que gosto do que sinto agora. Quando me vir por ai me pare e converse comigo. Também estou escrevendo tudo isso no olhar.
Ganhei ao menos um sentimento mais forte que a quarta de cinzas. Esse é o que eu sei ate agora. Ou melhor, acabo de descobrir outro: Esperança. Uma esperança novinha só para mim. Que venham mais...
Eu quero tudo. O que mais poderia querer?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

+ 1

Devido as festividades do carnaval, só hoje sai para comemorar meu aniversario de mais de uma semana atrás. Eu e eu mesmo por lugares que me trazem boas lembranças e me fazem relaxar. Depois um bom café. Depois o Recife Antigo com sua descarnavalização. Depois a livraria, onde aproveitei e me comprei um livro de presente. Adoro livros de presente. Depois um lanche. Depois o cinema. De forma sagrada. Eu, o ingresso e um ovo-maltine. Assisti o novo filme do Sexta Feira 13, relembrando as madrugadas de sexta que passava acordado só para assistir esses filmes de terror. Na volta li quase metade do livro que comprei e estou adorando. Parei e pensei sobre muita coisa. Descobri que estou num momento feliz, ou alegre não sei. Sei que estou bem comigo mesmo e pela primeira vez após algum tempo me senti não com vontade de dividir essa felicidade-alegria, mas preparado para fazer isso. Sem fantasmas do passado e cheio de esperança. Como eu disse a uma amiga a pouco; virou uma questão de tempo eu encontrar alguém ou talvez já tenha encontrado e não saiba. Vou é dar as mãos a minhas novas lições de vida e meter a cara no futuro. Ao infinito e alem...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009



Ah! O Carnaval de Recife! Conhecido por sua irreverência, criatividade e ar tão popular. É o próprio povo que faz o Carnaval. Nada de abadas que unificam uma multidão. Quase nada de violência. Miscigenador das classes recifenses igualando pobres e ricos no festejo. Nada de cordão de isolamento... Opa mas espera um instante. Se aquela “Área VIP” separando dez metros da frente do palco principal da festa, para um grupinho acima da massa, não é um cordão de isolamento o que é então? Um grupo de sobrinhos de alguém que se envolveu na feitura de “nossa festa” não poderia se misturar ao povão num é verdade. Já imaginou subir o elevador de vinte e tantos andares com o fedor da lama do Capibaribe entranhado no corpo? Deve ser uma péssima sensação para eles. Mas eles não tiveram que passar por esse sofrimento esse ano. Uma visão privilegiada da festa foi reservando a esses coitadinhos. Um local onde se podia deitar no chão para ficar só curtindo o show, com toda segurança. Toda mesmo. Alem de uma cerca fechando a área, uma barrica de seguranças terceirizados que deixariam qualquer guarda Britânico com inveja da sua capacidade de manter uma cara poste. Quanta eficiência! Quebrada apenas quando se havia necessidade de dar um apoio para a grade não ser empurrada pela mundiça do outro lado (eu tava no meio dessa mundiça). Podia-se contar ainda com todo um pelotão da guarda municipal do Recife, munidos de seus cacetes e braços cruzados. Cientes de que o show de verdade viria da plebe, quase não olharam para o palco. É tenho certeza que os indefesos do Recife estavam bem protegidos puderam brincar o carnaval como sempre queriam, perto dos artistas e sem empurrões, mas a ralé não permitia antes.

Já do outro lado do arco-íris. Onde o antigo carnaval do Recife tentava continuar existindo, quem fez a festa foi a policia. O exemplo típico foi o do Soldado Welligton e seus sete amigos. O soldado Welligton, talvez por ser o único identificado na trupe, era o mais calmo sempre conversando no seu celular mesmo com todo o barulho. Ao seu, redor os outros sete exponham a alegria de terem passado num concurso publico e se juntado a magnífica PM do Recife. Os mais alegres eram um cidadão com mais cara de alemão neonazista do que de recifenses. Exalando todo seu instinto Sado-masoquista. Ate o ato de pular era merecedor de um bom cassetete nas costas, perguntar por que estava apanhado merecia dois, afinal de contas você tem que saber porque apanha. Pensei em fazer um Heil Hitler para ele, mas achei que identificar sua natureza merecesse três decidas do cassetete, acabei por apenas olhar. A única mulher da gang... digo, do pelotão descontava as surras que levou do pai (na infância) e do marido (um pouco mais recente) nas meninas que ainda não tinham sofrido nenhuma das duas. Dançar coco era motivos de empurrões, não sei se era porque ela não podia ou não sabia dançar.

Curiosidades a parte, o carnaval do Recife consegue provocar muita coisa boa na maioria das pessoas, eu mesmo não o troca por nada nesse mundo. Para mim não há nada melhor e mesmo se tivesse distante, rico ou apenas metido a besta, fariam questão de batalhar por meu espaço no lado “pobre” da grande de isolamento do carnaval no Marco Zero.

Carnaval Multicultural do Recife, a cultura pobre de um lado e a rica na área VIP.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Acrósticos

Inesgotavel fonte de beleza
Noite de luar brilhante
Grande poço de leveza
Rainha mestra de meu instante
Inspiraçao dos meus momentos
Dona dos meus pensamentos


A Ingrid que de amiga de meu irmão se tornou minha amiga...



Mas como poderia eu, mero mortal,

Ao olhar tal deusa em todo seu brilho,

Resistir me perder no vendaval

Inebriante que te segue aos estribilhos

Alinhando meus olhos com teus passos?


Como a distancia separa os eternos dos findos,

Lamentar o desejo maior se tornou minha sina.

A vontade de num abraço alcançar-lhe os ouvidos,
R
ezando a eles versos e canções feitos sob a lima,
A
dorando-a como um astro iluminado no espaço.


A Clara para cumprir com minhas palavras, mesmo quando as dou depois de embriagado.



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Duvidas de uma sonata

Algum poeta. Em algum lugar. Em algum momento. Falou de como o raiar do sol lhe trazia alegria ao coração. Dizia como aquela bola de fogo espantava seus fantasmas, suas tristezas, seus medos, sua escuridão... Mas não é assim. Cada vez que abro os olhos aquela luz dourada queima minhas retinas, me enche das tristezas de um novo dia e renova os meus medos.

Algum poeta. Em algum lugar. Em algum momento. Falou de como à noite, sob as cobertas, bem acomodado em seu leito, ele se sentia seguro. Dizia como aqueles lençóis cheirosos e aquela cama macia, apoiados pela penumbra o faziam se sentir num aconchegante fim de inverno. Onde pensar em como se venceu os obstáculos e sonhar como seria boa a nova primavera o faziam dormir com um sorriso nos lábios... Mas não é assim. A noite, em meu quarto apertado, lembro de rodos os meus erros, as quedas, as pedras em meu cainho que eu deveria ter quebrado, porem toda me inutilidade me fez apenas dar a volta. Tudo isso me faz demorar horas para dormir, sempre com uma lagrima nos olhos e a odeia de que o inverno não mais terá fim.

Não sei se eu ou os poetas mente. Não sei se Sancho, em sua verdade, ou se Dom Quixote, em sua utopia vive melhor. Também não sei se o calor animador, ou se frio acolhedor é melhor para mim.

Quando triste, me apoio no colo do meu travesseiro, me acalanto e uma lagrima me faz companhia.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Um conto de dois eus e nenhum conto

O relógio marcava uma da madrugada, passava já alguns minutos disso. Na verdade era quase duas, mas foi só nesta hora que me veio a inspiração e a vontade de escrever. Ao menos comigo, é muito difícil que as duas andem juntas. Então achei que deveria aproveitar e me incentivei a fazer um conto.

- Um conto... – Pensei. – Fazer um conto...

Passado algum tempo preso a esse medíocre pensamento o mudei para:

- É, um conto. Pode ser, porque não? Mas... um conto sobre o que?

Essa minha nova indagação me roubou mais alguns minutos, o que me deu tempo de ir atender um breve chamado da natureza. Ao voltar, um pouco mais aliviado, olhei para mim mesmo sem precisar do espelho e me sugeri:

- Escreve um conto sobre a morte.

O meu eu que recebeu a sugestão, em resposta ao que sugeriu, abriu-se em pensamentos:

- Mas... sobre a morte? É certo que eu e você (nesta ocasião eu e eu, já que você também sou eu) apreciamos e já escrevemos um tanto sobre a morte e visto que é um assunto tão vasto quanto o amor. Porem, é mesmo necessário um conto e mais um texto meu, digo, nosso a respeito da morte?

Meu eu sugestor, impaciente tão quanto qualquer eu seria, se colocou a contra-responder em meio a palavras de baixo nível:

- Se não queres minha opinião não precisa a menosprezar. Apenas não a tome para si! Hora essa! Agora tenho que escutar criticas de mim mesmo sobre o que escrevo... Eu gosto de falar da morte, e daí?!

Meu eu que tentava escrever, menos funesto e mais paciente que o outro (ao menos no momento), replicou com certo tom de voz que eu não reconhecia em mim. Algo sereno-intelectual.

- Calma. Não é bem assim. Não estou a menosprezar sua idéia, a acho ótima. Como disse antes, já fiz algumas coisas com você sobre isso. Só não acho propicio o fazer agora.

A serenidade da minha fala me acalmou de um modo que meu eu bravio voltou a um estado próximo do equilíbrio. Todavia, não querendo admitir estar errado, falou com desdém:

- Faça como quiser. Não me intrometo mais. Não quero mais fazer contos.

Como uma peste altamente contagiosa, a desvontade minha contagiou meu outro eu. Esse também desistiu de produzir seu conto.

Quando dei por mim vi que mesmo que ainda tivesse vontade a inspiração havia evanescido a muito. Veio apenas a mente:

- Nada mais de conto. Por fim, acabo escrevendo sobre a morte.

Meu conto morreu!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Dedico a voce

Alguns amigos, ou pessoas que já leram o que escrevo, me indicam a tentar (quem sabe ate conseguir) escrever um livro. Os motivos que me passam são vários e eu os recebo como um elogio, sempre agradecendo de forma tímida ou fazendo uma piada.
A ultima indicação que tive foi de fazer uma descrição das loucuras e “pitís” das garotas que eu me envolvi. A razão que recebi foi: “Tu só pega menina doida”. Quem falou sabe o que disse e a piada de resposta já veio pronta.
No entanto, não é bem disso que quero falar. – To tão conversador nesse texto. – O que me veio ao pensamento não foi o “o que escrever” ou “ se escrever”, a minha indagação foi: “Caso eu faça, a quem indicar?”.
Acho o Maximo aquelas dedicações bem no comecinho dos livros. Tenho mais vontade de ter uma dedicação a mim do que fazê-la a alguém.
Fiquei com aquilo na cabeça um tempo. “A fulano com algum sentimento por alguma coisa que me tenha feito”. Quem eu substituiria por Fulano?
Qual sentimento eu o dedicaria?
O que uma pessoa precisaria fazer para merecer a homenagem?
É meio que uma mania me prender nessas indagações que parecem tão simples e tão complexas. Acabo, muitas vezes, por chegar em soluções insatisfatórias que vão ser questionadas por mim mesmo no futuro ou meramente abandonadas. Espero não abandonar essa.
Claro que como de praxe, cheguei a uma eterna conclusão momentânea. Na dedicação do meu livro, ainda não existente, estaria:

“Dedico esse livro com intenso agradecimento ao leitor, por fazer com que a morte das arvores que originaram o papel fosse útil, nem que seja para passar o tempo.”


Eu sei. Ficou extenso. Já vi maiores, mas achei esse muito longo. Caso o livro fosse realmente a descrição das “Mulheres da minha Vida” a dedicatória seria:

“Aos netos que ainda não tenho, para que saibam que devem amar, pois eu amei.”

Esse ao menos ficou menorzinho. O que importa é que a idéia principal me satisfez no momento. Pesando o fato que daqui que venha a produzir esse livro (se o fizer) vou ter mudado de opinião tantas vezes quanto venha a questionar a qualidade dessa frase.
E assim, como milhões já fizeram, remonto a máxima do filosofo:

“Penso, logo mudo de opinião.”

domingo, 25 de janeiro de 2009

Muito Bonito

Sendo o belo, algo que transcende as fronteiras que nossos olhos nos impõem como beleza, seria injusto limitá-lo ao pensamento. Excluir qualquer manifestação de que se absorveu a essência do magnífico presente, deixa de ser pessoalidade para se tornar egoísmo. Mozart conquistou sua posição de gênio quando ainda na sua infância o belo foi notado em suas canções. No entanto, Picasso teve um louvor tardio de suas obras já que tardio foi o expressar de uma língua para citar a beleza de suas telas.

Externar a sensação de defrontar-se com o belo deve ser uma constante, principalmente quando temos a certeza desta sensação. Se ele vai de encontro a expressão de outrem não importa. Mentes pensantes que discordam quando juntas produzem um tanto mais do que as que concordam. Alem do mais é inigualável os sentimentos trazidos não só aos que são elogiados, mas também aos que elogiam, quando dízimos: “Como está bonito”.

Ponha para fora seus sentimentos, do belo ao horrendo. Eles não foram feitos para serem trancafiados dentro de nos e dividi-los é um ótimo presente que se pode dedicar a alguém. Como seres coletivistas, boa parte de nossa jornada na vida se resume tão só a busca destes momentos de partilha.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Aguardo Convites

Foi novamente ao cinema hoje. Novamente sozinho.

Tentei entender o motivo de me sentir tão bem ao ir para o cinema e mais ainda o motivo por sentir tão bem ao ir ao cinema sozinho.

Descobri algo, posso ate estar errado, como todo mundo às vezes esta. Mas acredito que vou ao cinema para comprar minhas emoções. A grande falta que reclamo, o vazio que comento se esvaí após a seção, dependendo do sentimento que comprei naquela seção, claro.

Tudo parece meio obvio, pessoas assistem filmes, lêem livros para sentir os sentimentos que suas historias passam. No entanto, não vem funcionado assim para mim. Eu só sinto após ser comovido a isso. Para ter certeza que estou triste assisto; dramalhões, para efetivar minha alegria; comedias, para me confirmar minha adrenalina; ação...

Assisti um bom drama hoje. Aqueles contos de um amor que vai, depois volta, depois vai, depois volta... Até o momento que volta de uma vez e vai definitivamente. Senti todas aquelas sensações e sai bem aliviado da sala do cinema. Foi maravilhoso.

Espero assistir algo mais animado na próxima vez. Espero assistir algo acompanhado da próxima vez. Aceito convites. Contanto que a pessoa não fale durante o filme, se quiser me beijar que tente antes ou depois. Alguém que queira tomar um bom café, ou comer chocolates, ou tomar milk-shakes...

Estarei comprando meus sentimentos nas próximas seções. Mas dessa vez quero os sentimentos mais contentes...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Assuntos Não Aleatorios

Não sei como começar o que digo...
Sei do que sinto e cada dia mais a minha sensibilidade diminui...
Eu sinto falta. Nada é igual.
As bocas são insípidas.
As risadas não têm graça.
Os toques não têm calor.
As paixões não dão prazer.
O quebrar das ondas não causam o mesmo efeito. Não causam. Não sem o colo, sem as mãos passando pelo meu cabelo, sem os beijos e consolos...
Não há carinho que ultrapasse minha carapaça. Não como aqueles. Aqueles que me faziam despir a armadura e soltar as armas. Que me faziam criança, amante. Que me arrancavam a maldade e me faziam de alguém, por alguém.
Os abraços não tem o mesmo cheiro.
Por trás da minha lente não há o mesmo brilho.
Não há mais no meu peito amor.
Não há mais na minha mente sonhos.
Não mais escorrem dos meus dedos os sentimentos em guardanapos de papel...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Passagem do tempo

Já se vai um ano e a dor só aumenta.

Quem dera o passado fosse mais presente, ou o presente fosse outro futuro do passado.

Quem dera a benevolência divina nos pusesse novamente lado a lado.

Poder escutar os versos que hoje declamo, sob a sonata da voz de quem para mim foi mestre. Percorrer as estradas que hoje cruzo, de carona com quem sempre foi meu guia.

O que me restou foi vazio no peito, tão grande que nem toda a saudade que sinto consegue ocupar. Sobra-me a dor de estar trancado no que já foi abrigo de nossas tantas conversas, lições, piadas e mimos de um avô para um neto... de um pai para um filho.

Sinto tanto sua falta...

Gostaria de chorar nos teus ombros as lagrimas que hoje não consigo mais verter e ouvir como consolo doce a tua frase que ainda inspira meus dias: “Você sabe que você é meu ídolo”.

Parodia Humana 53

Ajo estranho, logo existo!

A inter-existência esta diretamente condicionada ao feitio do diferencial. Quem sobe no ônibus lotado e fica de pé ao seu lado lhe é menos perceptível que aquele que chega e senta no chão.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O que Bentinho não fez

Ganha-se a vida, perde-se a batalha

Ganha-se para lastimar a derrota

Perde-se o caminho, perde-se a rota

Perde-se a mascara que esconde a falha


Ganha-se a batalha, perde-se a vida

Ganha-se a gloria da vitoria fútil

Ganha-se a passagem da inevitável ida

Perde-se o futuro numa peleja inútil


Nessa inversão do se ganhar, do se perder

Procurando o brilho intenso do teu ser

Encontro-me na batalha mais dura.


Encontro-me na luta da tua condição

Vejo-me na batalha por seu amor ou sua paixão

Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Quero vc pra mim...
Como companheira, como amiga, como mulher...
Quero aceitar e viver tdas suas glorias e decepçoes.
Ser parte, consolo ou o primeiro a te louvar por elas.
Quero que vc seja o msmo pa mim...
Te quero como motivo dos meus sorrisos e amparo das minhas lagrimas.
Musa dos meus poemas, inspiraçao das minhas fotografias...
Nao quero seu caminho, nem que vc qeira o meu.
Quero nossos caminhos lado a lado, em direçao a eternidade breve que o tempo nos permitir...
Quero seus sentimentos e quero te dar os meus sentimentos...
Como uma troca injusta em que nunca poderemos estar quites um com o outro.
Sempre havera uma dedicaçao maior de um lado ou de um momento.
E dessa constante divida de emoçoes seja feita a relaçao de duas pessoas que nao podem ser nem elas msmas, mas que seram bem mais que qlqr um pode ser, apenas impulsinados pelos pulsos de seus coraçoes batendo em unissono.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

"...Por favor não me analise, não fique procurando cada ponto fraco meu. Se ninguém resiste a uma análise profunda, quanto mais eu...Ciumento, exigente, inseguro, carente.. todo cheio de marcas que a vida deixou, vejo em cada grito de exigência um pedido de carência, um pedido de amor. Amor é síntese.. É uma integração de dados Não há que tirar nem pôr. Não me corte em fatias, ninguém consegue abraçar um pedaço.. me envolva todo em seus braços e eu serei o perfeito amor" [ Mário Quintana]

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

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Desprezado pelos Deuses...
Perseguidos pelos demônios...
Rejeitado pelos humanos...
Segue assim minha sina...
A sina de um Anjo Caído...
Agüentar o peso das asas em sua leveza...
Se olhar no espelho e ver tudo menos a mim mesmo...
Externar sentimentos que não sinto... Reprimir os que se fazem presentes...
Desejar o que não se pode ter e abundar do que não se quer...
Ser estranho entre iguais...
Serio para uns, louco para outros...
Um velho infantil... O mais burro dos inteligentes...
O mais triste dos palhaços...
Ser tudo o que outros querem que se seja... Mas e o que quero?
Tudo que anseio morre nas sombras da satisfação do desejo alheio ou é trancado nas masmorras do que um dia foi meu coração...
Onde paixão rima com abandono, amor com sofrimento e bem querer com ilusão...
Não aprendi o jogo do contente...
Não aprendi o jogo social de usar as pessoas e seus sentimentos...
Ofereço o que tenho no peito ao primeiro que peça...
Tudo que tenho no peito esta disponível a quem deseje...
A quem se sensibilize e queira cuidar... A quem queira usar como troféu ou enfeite...
A quem queira alimentar o próprio ego... A quem prometer não devolver nunca mais no próximo minuto... A quem interessar possa...
Ofereço tudo que tenho no peito... Isto é, Nada...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Desventuras


Não lembro de ter despertado esse ano, fui sempre acordado. Forçado dia após dia a abrir meus olhos foscos, recheados de desesperança, inundado de tristeza e exalando solidão. Andei passos sem vontade, embarquei em ônibus e trens que me levaram a lugares onde eu não queria estar. Dormi pouco, sonhei menos ainda e os poucos sonhos me traziam a tona verdades que escondi no meu subconsciente. Derrotas, fracassos, abandonos e desilusões, minha mente insatisfeita de ver essas coisas durante o dia, escava minhas lembranças e as mostrava também durante o sono.

Esperei um salvador, um messias e ele não veio. Busquei consolo e ele me foi negado. Agi como não queria, só ganhei o inverso do que pedi e tive o reflexo de minha alma despedaçado em partes tão pequenas que nem me atrevo a juntar.

Sinto saudades de lugares que nunca visitei e falta de pessoas que nunca tive ao meu lado. Queria sonhar sorrindo, ou sorrir sonhando, só para ouvir mais uma vez um comentário sobre a beleza que transmito quando estou nos braços de Morfeu.

Desejar o fim é apenas mais uma lamuria. Eu desejo começos. Começar a sorrir, começar a relaxar, começar a amar, começar a aprender a ser amado... eu desejo despertar de uma ótima noite, ter ao lado quem amo, sentir seu cheiro e ficar olhando ate que ela acorde e me diga “Bom dia” com um olhar que me valha a existência.

Ao escrever essas palavras não consegui verter nenhuma lagrima. Porem, o céu fez isso por mim. Era uma chuva de verão, tão passageira quanto os sentimentos que me foram dedicados. Era também uma chuva forte, como as lagrimas que gostaria que rolassem no meu rosto...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Vacuo


Sinto falta do brilho nos olhos. Querer ver aquelas bolotas castanhas, verdes ou azuis e so ver luz.
Sinto falta da emoçao de ouvir que ela sentiu saudade e descobrir que tambem sentiu.
Sinto falta de abraçar e sentir os coraçoes batendo. Pus a mao no peito algumas vezes essa semana para ter certeza que ele estava la. Nao sinto mais nem o meu coraçao com vou sentir o de outrem?
Toquei meu peito novamente...
Há algo batendo la...
Timido, so cumprindo suas obrigaçoes basicas, mas esta la.
Nem se mostra, mas esta la.
Acho que ele esta vazio demais, leve demais, por isso nao o sinto.
Podia aparecer um alguem sem-teto, disposta a preencher esse espaço. Mas quem iria querer plantar raiz num solo infertil?

Anjos tambem têm medo
, todos têm medo de ficar sozinhos.
Os anjos temem ficar sozinhos na eternidade...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Caixa de Pandora

Não sei se tirei ou se pus mais uma mascara no meu rosto.
Tento encontrar as palavras do meu momento e acabo por me achar vago ou cheio demais para fazer essa definição. Releio minhas lembranças e elas me dizem pouca coisa, me olho no espelho e só vejo os mesmos olhos tristes e apagados de sempre. Olho para a tela do meu computador e ele me diz: "Para obter ajuda, pressione F1". Será que meus paradoxos podem ser resolvidos no pressionar de uma tecla? Eu aperto F1 e minha solidão evanesce, mais uma tecla e minha carência se esvai, acho que antes do F10 já teria um sorriso no rosto.
Apesar de ser bem pratico para muitas coisas, nunca fui muito objetivo em relações aos meus sentimentos. Toda vez que teimo em abrir o baú do meu coração, cedo ou tarde sai mais um monstro de dentro dele. No entanto, minha curiosidade, no seu modo Pandora de ser, teima a abri-lo novamente. Espero sentando o momento que não haja nenhuma mazela a ser expelida de lá e que quando aquela maldita caixinha se abrir de novo, tenha no seu fundo apenas a fadinha verde da esperança a me observar com seus olhos de quem fez uma arte. Que ela me diga com sua voz melosa: "Sempre virá algo bom! Sempre!".
Esperança não machuca...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Como é não sentir culpa?


Somos assombrados a tdo momento pelo resultado de nossas escolhas. Por mais que seja doloroso encarar tda a merda q vem junto como resultado das escolhas erradas, pior seria ser continuamente omisso e viver curtindo as dadivas e merdas das escolhas alheias.
Como eu me puniaria por ter no meu caminho uma opçao de qm qr q seja exceto a minha. Parece ser tao facil se livrar da culpa em gracejos suspirantes q dizem: "Fui forçado por minha mãe, a culpa é dela...", "foi ele que quis assim, n pude fazer nada...". Ql fraco seria meus alicerces se fossem tdos sentados sobre o julgamento alheio, n conseguiria viver assim. Minha alma de porra-louca por mais q escolha o errado mais vzs do q eu gostaria, me dar força pa ser alguem q vai mais alem...

Sempre teremos tempo...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Caminho para o por do sol


Por um bom tempo o por do sol me trazia uma tristeza tao grande, parecia que o sol tava indo para nao mais voltar, enquanto a seu nascer me dava a alegria da chegada de alguem querido. O tempo foi passado e por do sol passou a ser para mim o anuncio da noite, o que me deixava feliz enqanto a aurora me dizia que mais um dia entediante estava para chegar. Acho bom ter tido essas ideias um dias e fico bem mais feliz em saber que elas mudaram... Hoje olho o por do sol, o nascer do sol, a lua, nuvens e o que vejo beleza... Uma cena, um enquadramento para um fotografia que vai me deixar euforico quando for revelada... Ou somente a leve lembrança de pessoas queridas a quem eu gostaria de dividir as belezas da vida.
Nossos olhos os veem o que queremos e a muito nao me esforçava para ver o melhor, o belo e a sensaçao de o fazer é otima...
A luz e as trevas sao necessarias uma a outra, se completam e ambas nos trazem experiencias, sentimentos e sensaçao incriveis...

sábado, 4 de outubro de 2008

À Priscilla

Mtas vzs passamos a vida procurando de qm gostar da maneira certa, tentando evitar sofrimento e angustia. Porem, descobrimos decepçoes e desilusoes nas pessoas q se aproximam de nos que dificultam essa busca. O ser vivente descobre das piores maneiras q a felidade n se faz na solidao, um outro se faz necessario. Precisamos nos completar, somos imperfeitos e buscamos nos outros reflexos distorcidos do q achamos ser perfeiçao.
Mas como se encontra algum q n sabemos a forma, nem o nome? Apenas libertando o espirito desbravador q tdo ser humano tem. Buscando caminhos, paridades, sensaçoes, gostos e cheiros. Sua metade n vai bater sua porta e dzr: "Cheguei, estou aqi!", mas pode te olhar na multidao, se perder do proprio caminho, vencer seus paradigmas e so dzr: "Oi, tdo bom?". Somente c o tempo e o contato é q se pode saber p onde e qdo ir.
Desperdiçar esses momentos pode nos trazer indagaçoes e duvidas eternas, vive-los pode nos trazer peqenas duvidas e dores, mas traz tbm momentos de eternos de felicidade.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Uns olhos...

“O amor sempre vem”
Eu achava o maximo as pessoas que acreditavam nisso, no entanto nunca tinha me acontecido. Havia me relacionado com varias pessoas que me causaram bons sentimentos e sensações, porem nunca tinha sentido os fervores e loucuras descritas por quem ama. Não tinha sentido nada até aquele dia.
Ao acordar parecia um dia normal, porque era um dia normal. Os deuses não fazem mais bonito o dia que você vai se apaixonar, não mesmo. Tudo estava no seu devido lugar. A continua rotina teve sua continuidade inalterada. O toque do despertador, o banho, o escovar dos dentes, o ônibus lotado, o café da manha na estação, o metrô lotado... Foi ai que as coisas começaram a mudar.
Eu ouvia musica durante a viagem ao trabalho, era mais de uma hora perdida da minha vida. A musica me distraia e fazia o tempo passar rápido. Ah! Como eu queria que ele tivesse sido bem lento naquele dia. No meio da minha distração, tentando acompanhar uma musica numa língua que eu nem conhecia, eu levanto a cabeça e no outro extremo do vagão vejo o par de olhos mais lindos que já vira. Devido a distancia e a multidão só via os olhos, a testa e um pouco dos cabelos. Belíssimos! Completamente harmônicos entre si!
Os olhos eram de um azul brilhante, intenso, pareciam pedras preciosas ou estrelas. O cabelo de um loiro artificial que só fazia deixar mais brilhante os olhos (as tinturas eram bons investimentos). Eu não conseguia parar de olhar, meu coração doía quando o trem parava nas estações e a entrada e saída das pessoas atrapalhava minha visão. Foram oito estações de só eu olhar, porem, antes de chegar a nona ela também me viu e aqueles olhos me sorriram, brilhando ainda mais. Foi ai que senti o fervor, a adrenalina, a vontade de não sair mais dali.
O trem chegou a nona estação, meu coração parou enquanto as pessoas entravam e saiam. As portas se fecharam, procurei os olhos novamente e eles não estavam mais la. Procurei pela janela do trem, mas nenhum dos transeuntes parecia ser dono daqueles olhos. Tentei pegar o metrô no mesmo horário inúmeras vezes, mas acabei por me conformar que havia perdido aqueles olhos para sempre.
A lembrança me trouxe bons e maus momentos por toda a vida. Aquela sensação não se repetiu mais. Conheci outras pessoas, outros olhos, casei poucos anos depois com alguém de olhos castanhos (um pouco brilhosos). Tivemos bons filhos de olhos também castanhos, o mais novo tinha-os quase pretos. Tive uma boa vida, tão boa que não queria deixá-la. Lutei contra as doenças da velhice com um empenho impar. Até a enésima vez que fui ao hospital.
Depois de ter passado o risco maior a enfermeira entrou no meu quarto. Usava uma mascara cobrindo a boca e o nariz, mas os olhos... Eu tinha certeza que não eram os mesmos. Ela era muito nova para ser a mesma pessoa, devia ter a idade de um dos meus netos, mas eram idênticos aqueles do metrô de tantos anos atrás.
Tentei falar a ela algumas coisas que queria ter dito naquele dia, saiu algo tímido:
- Seus olhos são lindos.
Ela reagiu com naturalidade, como se tivesse acostumada a receber inúmeros elogios desses (devia recebê-los mesmo). Tirando a mascara, para mostrar que não só os olhos eram lindos, mas todo o rosto, ela falou com serenidade:
- São “herança” da minha avó...
A resposta deu uma nova vida ao meu coração cansado.
- ... e o interessante é que ela era da mesma cidade que o senhor. – completou.
- Era? – indaguei como se a nona estação tivesse chegado novamente.
- Sim Senhor, era. Ela faleceu a dois meses.
Neste momento larguei as armas da batalha pela minha vida. A dona Severina foi traiçoeira e usou uma arma que eu não podia me contrapor. Morri menos de uma semana depois, durante o sono com um sorriso no rosto. Não levei como uma derrota, não era. Seria uma nova busca. Havia a esperança de reencontro.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Pula!!!

O menino não tinha o que fazer, nem o que desejar. As condições de sua existência o propiciava um enorme ócio motor e aspirativo. Ir a escola parecia inútil (e era), exceto pela possibilidade de ter uma refeição “regular”. Diversão era andar nas ruas do centro com os amigos. Sujos e mal vestidos tinham como pináculo de suas aventuras diárias, pular no rio, da beira do cais, na principal praça da cidade.
Como era bom!
A emoção do salto, o ressurgir na superfície da água, a platéia de turistas que se formava, as fotos...
Eles geralmente chegavam as 3 da tarde, não que marcassem, mas o horário era quase sempre o mesmo. Saltavam até o por do sol, ou até os meninos mais velhos resolverem ir para casa. A lei era do mais velho e mais forte.
Ele sempre sentia medo nos primeiros pulos do dia. Sabia que não morreria afogado, pois nasceu com o umbigo enlaçado em volta do pescoço e fora adicionado o nome José ao seu nome de chamar. Isso o salvaria com certeza, mesmo assim sentia medo, mesmo com a experiência de vários outros saltos. Era sempre o ultimo a se jogar na água, daquela vez não seria diferente.
Todos já estavam na água, houve um show de flecheiros e saltos-mortais, mas faltava o dele. Enquanto tomava coragem para se jogar na água, ele achara um coco, que já devia estar no lixo. Seu olhar foi do coco a água e da água ao coco uma centena de vezes, até ele ouvir ser chamado pelos outros, de uma forma mais humilhante que inspiradora.
- Pula mulherzinha! – Ele apenas chutou o coco para um lado.
- Pula medroso! – Chutou o coco para o outro lado, como um jogador de futebol a driblar.
Fora sete chutes ao todo, sete chutes no coco para lhe trazer o animo para saltar. Então ele o fez, um salto acanhado, sem nenhuma acrobacia, mas saltou. Naquela tarde, seus pés perfuraram a água muitas outras vezes, até que o céu começou a mudar de azul para o laranja e todos entraram no consenso de voltar para casa.
Já na rua de sua casa, no seio da favela, seu amigo mais próximo perguntou:
- Vai amanha?
- Não, amanha é quinta. – Respondeu aos suspiros de satisfação.
Quinta-feira distribuíam cachorro-quente na merenda da escola, ele lembrara, e sempre o deixavam comer mais de um.
Como era bom!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Saga de um Anjo sem asas

Sou um Anjo Caido, mas nao como aquele que se perdeu pelo odio e pela ganancia. Eu sou o espirito de luz que caiu pelo amor.
Fui carrasco para comigo tendo a solidao como castigo por amar um alguem que me era proibida a troca de sentimentos.
E nesta terra onde me encontro hoje enclausurado nao consigo mais
ser ao menos um falso-humano conformado, pois, assim como entre os asperos ramos do sobreiro nao pode frutificar o doce figo, tambem a felicidade nao pode germinar em meu coraçao torturado, despedaçado e poluido
.
Nao quero mais estar por aqui. Odeio o mundo, vivo na solidao,
destino-me a escuridao e no orgulho embucei meu rosto palido como um astro na treva.
Vivo agora a invejar os passaros que catando desmai-se e as
flores que murchando morrem. Corro meus dias a clamar uma chance de ser mortal o suficiente para morrer, ou Anjo o possivel para retornar ao lugar onde luzes fazem o real.

sábado, 27 de setembro de 2008

A mais longa jornada...

... começa com um pequeno passo.


As vzs eu paro e fico pensando nas coisas. Sou mto de pensar em tudo, tento estar uns passos a frente do q esta p acontecer e consigo mtas vzs. No entanto, algumas coisas nao estao no ambito da predeterminaçao, ficando assim, impossivel mtas vzs acompanha-las qm dira estar a frente.
O melhor icone do meu momento, seria a "Roda da Fortuna", o arcano 10 do tarot de Marselhe. Nao tem nada a ver c dinheiro, qeria eu, na verdade, ela fala de mudanças, mtas mudanças e descontroladas, caoticas. Esse eh meu momento.
No começo do ano tentei fzer meus planos, prevendo q o ano seria dito pelo arcano 1, o mago, 2+0+0+8=10, 1+0=1. Este arcono prediz inicios e assim fui guiando a minha vida me preparando p novas empreitadas. Porem nem tdo estava como previsto, simplesmente pq errei a conta, o resultado n era 1 e sim 10. Entao comecei denovo, fui me reestruturar p o momento correto, passei uns momentos onde nem me aturei. Fui pondo as pensamentos em seus lugares e vendo como fui cego a n ver como as coisas estavam acontecendo. Agra as coisas tao se ajustando a seus respectovos lugares, estou trilhando novos e velhos caminhos e n mais lutando contra as mudanças, mas sim, plas mudanças. N peço q me desejem sorte, pois sorte eh p os incapazes, qm pode vai la e faz c o q possue nas maos e eu tenho capacidade p fzer mto e vou fzer...

Decifra-me ou te devoro...


Ultimamente tenho sido um enigma ate p mim msmo... Tenho tomado reaçoes diante das situaçoes q nem eu msmo esperava de mim... e como esta sendo incrivel (oq n qr dzer q seja bom).
O autoreconhecimento é algo q tds deveriam experimentar, nao como o fazemos no dia-a-dia, mas de uma forma intensa q nos leve a determinados limites. É algo mtas vzs doloroso porem gratificante. Descobrir q os problemas sao mais simples do q parecem, reconhecer situaçoes e poder reverte-las antes q aconteçam, poder aconselhar pessoas qeridas c experiencias proprias é algo q n tem preço... Busquemos sempre ser melhores! Saibamos q a eternidade n é um lugar p se viver, somos mortais e nossa morada é o hj, saber aproveita-lo como um "presente" é uma das grandes liçoes da vida...

Caminho para o por do sol



P
or um bom tempo o por do sol me trazia uma tristeza tao grande, parecia que o sol tava indo pra n mais voltar, enqanto o seu nascer me dava a alegria da chegada de algem qerido. O tempo foi passado e por do sol passou a ser pa mim o anuncio da noite, o q me deixava feliz enqanto a aurora me dizia q mais um dia entediante tava pa chegar. Axo bom ter tido essas ideias um dia e fico bem mais feliz em saber q elas mudaram... Hj olho o por do sol, o nascer do sol, a lua, nuvens e o q vejo beleza... Uma cena, um enqadramento p um fotografia q vai me deixar euforico qdo for revelada... Ou somente a leve lembrança de pessoas qeridas a ql eu gostaria de dividir as belezas da vida.

Nossos olhos veem o q qeremos e a mto n me esforçava pa ver o melhor, o belo e a sensaçao de o fazer é otima...
A luz e as trevas sao necessarias uma a outra, se completam e ambas nos trazem experiencias, sentimentos e sensaçao incriveis...

Primeiro Impacto

Nem sempre podemos falar oque pensamos ou guardar como pensamento aquilo que falamos, nem sempre. Decidi abrir um espaço onde isso fosse possivel. O meio mais rapido q encontrei é este q agora vemos o "Phrases Despheitas.blogspot", o espaço sera invadido por tdo tipo de pensamento produtivo ou n. Serão vistas palavras e imagens q podem significar mta coisa e serem a salvaçao de uma alma. Outras seram tao inuteis qto ler aqelas folhinhas evangelicas.
Bem vindos a um espaço onde impera o pensamento livre de amarras onde cada texto tanto pode ser uma continuidade, uma contraversao, ou n ter nada a ver c os outros. Palavras que seram ditas de momento, o ontem tera passado e o amanha ainda n aconteceu. Eternidade n existe nesse dominio, futuro é uma ideia vaga...
Tomem seus lugares, pois as sensaçoes do hj se apresentam c suas roupas de domingo, tanto do domingo pela manha qdo se vai a feira qto no domingo a tarde qdo se vai passear...